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Lider do Ministério de Dança - Evelin Estrada

6 de abr de 2010

Adoração e relacionamento

Já vem de alguns anos o mover da adoração no Brasil. Nossas lojas evangélicas estão cheias de CDs de adoração, nossas igrejas com agendas lotadas com congressos de adoração, e no coraçãode muitos crentes em nosso país, um anseio sincero de se tornarem verdadeiro adoradores.Mas como definir adoração? Estaria ela restrita a um estilo musical? Ou no nosso caso, enquanto ministros de dança, estaria ela restrita a um estilo de dança com panos esvoaçantes e movimentos leves? Para alguns, adoração é uma experiência quase que extra-corpórea, totalmente mística e sobrenatural, que acontece somente no “mundo dos espíritos” ou “das ideias”, como diria Platão.Mas o que a Bíblia nos ensina é que adoração, ao contrário do que parece, não é uma ação abstrata, e sim uma ação concreta e consciente. E toda ação só pode ser realizada por algo ou alguém. Ou seja, se alguém não fizer, ela não acontece. Assim como andar, comer, pular, dançar não acontece no acaso, sem a intervenção de um agente, assim também é a adoração. Adoração não é algo subjetivo, mas concreto.Bem, se alguém precisa fazer para que ela aconteça logo temos no centro da discussão dois personagens. O que faz a ação e o que sofre a ação. Em bons termos gramaticais, o sujeito da voz ativa e o agente da passiva. O adorador e o ser adorado, Deus. E é sobre o agente que eu gostaria de refletir, isso é, o homem.Deus é o sujeito da voz ativa, porque a adoração começa em Deus, e não no homem. É Deus quem gera no coração o desejo de buscá-lO. A Bíblia nos diz que é o Espírito Santo que tem poder de nos convencer. E a Bíblia também nos ensina que nós só podemos amá-lO porque Ele nos amou primeiro. (1 João 4:19)Portanto, o homem é o agente da passiva nessa história. E é sobre ele que vamos falar. Por quê? Por que não falar sobre Deus? Afinal ele é mais importante. Assim pensaríamos. Mas dentro da perspectiva de Deus que é imutável, sempre todo poderoso, Deus de amor e misericórdia, o homem tem um papel importante e é alvo dEle o tempo todo, pois o mesmo, o homem, é mutável, sempre dependente, nem sempre amável e poucas vezes misericordioso. Em outras palavras: Deus se importa muito com o homem.O salmista declara que a criação revela a glória de Deus, mas o homem se relaciona pessoalmente com o Criador. Partindo desse princípio entendemos porque fazemos o que fazemos, ou seja, porque dançamos, porque cantamos, porque tocamos, porque pregamos. Isso tudo tem haver com o relacionar com Deus e comunicar ao outro a mensagem do Deus que quer também se relacionar com os que não O conhecem. E para que haja comunicação é preciso haver linguagem. Dançar, cantar, tocar e pregar pode ser entendido com uma linguagem que viabiliza a comunicação da seguinte mensagem: relacionamento. E como todo relacionamento esse também está sujeito a alegrias, tristezas, erros, acertos, castigo e perdão. Fomos criados por Deus humanos e foi com essa humanidade que Deus escolheu se relacionar. Ele poderia se relacionar somente com os anjos, mas não o fez. O porquê disso nós não sabemos, permanece um mistério. Esse pensamento, que parece tão simples, contraria o pensamento vigente atual onde somos levados a crer que precisamos deixar de lado a nossa humanidade e nos tornarmos “quase anjos” para que Deus nos aceite e possamos nos relacionar com Ele. Nada está mais longe da verdade!

Algo interessante que me chama a atenção é a questão do som e da luz. A velocidade da luz é absurdamente rápida, trezentos mil quilômetros por segundo, que torna impossível ouvirmos o som que ela emite. Para ouvir o som da luz ela teria que diminuir drasticamente a sua velocidade. Aplicando isso em nosso assunto, foi exatamente isso que Deus fez. Deus, na pessoa de Jesus, diminuiu a Sua velocidade, desceu muitas notas na escala musical da eternidade para que pudéssemos entendê-lo. Ele se tornou homem para se relacionar conosco.
Em João 4:23 Jesus fala sobre a adoração em espírito e verdade. Ele enfatiza que a forma não é importante, mas sim a integridade do ato, a inteireza do ser ao adorar. Quando nos aproximamos de Deus, não temos que esconder ou amenizar as nossas intenções. Não precisamos fingir ser algo que não somos, pois Ele conhece nossa personalidade e características. Ou seja, a adoração, o relacionamento com o Senhor não é realizado com a “parte boa” do que somos porque um relacionamento verdadeiro não é baseado somente naquilo que é bom. Mas se prova verdadeiro quando exposto a inteireza do ser, seus predicados e percalços.

Talvez seja por isso que Deus pôde dizer que Davi era um “homem segundo o Seu coração”. Atos 13:22 diz: “E tendo deposto a este, levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também, dando testemunho, disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade”. Mas como pode ser? Davi era um homem que “conseguiu enfrentar o olhar de Golias, mas devorava Betseba com os olhos. Desafiou os que se burlavam de Deus no vale, mas se juntava a eles no deserto. Conseguia liderar um exército, mas não uma família. Davi furioso, Davi chorão. Sedento de sangue. Faminto por Deus. Oito esposas. Um Deus”. (LUCADO, MAX. Gente como a gente: como Deus muda a vida de pessoas comuns. Página 168). Davi era verdadeiro diante de Deus e não omitia quem era.
Mas ser apenas verdadeiro não era suficiente, ele estava disposto a se arrepender e a rever-se. Davi era inteiro com Deus e em retorno Deus era tudo em Davi. Às vezes é difícil sermos quem somos, pois pensamos que certos aspectos da nossa vida que nos desagradam devem desagradar muito mais a Deus. Mas se não nos relacionarmos com Deus com a inteireza do nosso ser, dificilmente construiremos um relacionamento real e correremos o risco de agir assim como Adão que ao ouvir a voz de Deus se escondeu. Talvez não nos escondamos atrás de uma árvore, mas atrás de uma guitarra, de um teclado, de um microfone ou de um figurino de dança. Antes de sermos um ministro, somos pessoas, gente, e é com gente que Deus se relaciona e espera a adoração.

Olhando assim fica fácil entender porque dançamos, tocamos ou cantamos. Porque Deus escolhe pessoas imperfeitas como eu e você para terem relacionamento com Ele.

Felipe Toller

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